Congresso de Medicina 2019


Evento traz como tema principal a saúde da criança e do adolescente

Publicado em 16/5/2019

O Congresso de Medicina 2019 contou com a participação de 700 alunos e trouxe para discussão a atenção à saúde da criança e do adolescente, nos dias 16 e 17 de maio. A programação foi pensada de forma a atualizar os pediatras da região e incentivar os acadêmicos a refletirem sobre a saúde e promover a interação e a troca de experiência entre todos, no campus Olezio Galotti.

Compuseram a mesa de abertura o vice-presidente da FOA, Eduardo Prado; o coordenador do curso de Medicina, Geraldo Cardoso; o diretor de relações institucionais da FOA, professor José Tarcísio Cavalieri; o presidente do Congresso de Medicina 2019, professor Luciano Costa; professora Sônia Moreira, responsável pelo IV Simpósio em Medicina e Humanidades; os acadêmicos Paula Brandão, Cristina Barroso, e Vitor Alves; além do palestrante, professor de Medicina na Universidade de Vassouras, Nilo Tonzar.

As atividades do congresso trouxeram as atualizações e os desafios das áreas pediátricas, com foco nas demandas dos dias atuais para reflexões. “Comemoramos os 51 anos de curso e trazemos, justamente, um tema que vai de encontro com os nossos anseios que é o cuidado com a criança, a preocupação com o futuro. Nossos alunos estão sendo preparados para entrar no mercado com o máximo de boas experiências”, disse o coordenador de Medicina, Geraldo Cardoso.

Os alunos vivenciaram experiências inovadoras de sessões interativas, atividades culturais, diversas oficinas, debates personalizados e apresentações de pesquisas. “Propusemos diversas atividades para que os alunos experimentem os mais diversos ângulos da pediatria. Os desafios da área são grandes na atualidade e merecem toda nossa atenção”, destacou o professor Luciano Costa, presidente docente da Liga de Pediatria.

PRIMEIRO DIA

O primeiro palestrante do congresso, professor Nilo Tonzar, compartilhou dados e estatísticas com os acadêmicos. “Ser pediatra é ser um profissional com a responsabilidade de auxiliar os pais na formação da criança, fase em que o ser humano se constitui tanto física quanto emocionalmente”, destacou o médico em sua apresentação.

O Brasil possui uma população de 201,5 milhões de pessoas, dos quais 59,7 milhões têm menos de 18 anos de idade. Mais da metade de todas as crianças e adolescentes brasileiros são afrodescendentes e mais de um terço dos 821 mil indígenas do país são crianças.

A segunda palestrante, a médica Márian Orióli, contou sobre sua experiência na área e sobre a residência em Pediatria. “Esperem muita parceria, professores atenciosos, que praticam de fato a humanização, que se dedicam. Quem se entrega à experiência sempre alcança muito sucesso”, enfatizou a pediatra.

Anomalia genética

Três a quatro por cento da população sofre com algum tipo de anomalia congênita e a oficina “Identificação das anomalias genéticas”, com a professora Claudia Utagawa, trouxe para os alunos cerca de 30 casos para observação e discussão. “Em geral, as anomalias mais graves são as que acometem órgãos vitais, como as que afetam o sistema nervoso central e o coração e acabam gerando algum risco para a vida do paciente”, pontuou a professora, que é referência em genética.

Claudia ainda comentou que apesar de alguns casos não apresentarem chances de complicações, outros podem significar problemas sérios. “Existem desde manchas e pequenas alterações que não são muito significativas para a espécie humana, mas existem casos que sugerem algum tipo de doença genética”, completou.

Neurociência, Música e Matemática

Através de estudos musicais e matemáticos feitor por análises neurocientíficas, a professora Hérica Cambraia Gomes falou conversou sobre “Neurociência, Música e Matemática” durante uma mesa-redonda. O objetivo foi expor os resultados e efeitos de pesquisas e ações nesse âmbito, além de demonstrar valores importantes para a inserção de métodos musicais na educação infantil.

Além de Hérica e da professora do curso Sônia Moreira, a mesa contou com a participação do professor Robson Paulino da Silva, secretário de Educação de Porto Real, e do médico Luiz Jardim, secretário de Saúde também de Porto Real, que falaram sobre o programa municipal “Daqui Pra Frente”, que traz atividades e serviços voltados à formação profissional, acadêmica, orientação vocacional e ao empreendedorismo com abordagens de didáticas musicais, além de matemáticas embasadas em estudos neurocientíficos.

– Acredito que trazer essas experiências e vivências para os alunos de Medicina é sempre relevante para um maior entendimento do nosso cérebro em formação, ainda mais com relação às práticas pediátricas. Desde a transmissão de maiores conhecimentos até as interações realizadas com música, a gratificação é imensa”, expressou Hérica, que é doutora em Educação Matemática.

Simulação de Parto

Será que é possível adiantar o nascimento para duas semanas antes do período normal de gestação? Qual é o passo a passo para reanimar um recém-nascido? Qual é o checklist necessário para a realização de um parto? Essas foram algumas das questões respondidas pela convidada e instrutora de reanimação e transporte neonatal, com certificado conferido pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Ana Paula Ferreira da Rocha, durante a oficina de Simulação de Parto.

“É sabido que a mulher deve ter autonomia sobre o seu corpo, mas de acordo com a lei, não é permitido que a gestante adiante o parto para 37 ou 38 semanas por questões pessoais, como datas representativas” contou a médica pediatra.

Ellen Marques, aluna do 7° módulo do curso, revelou que a oficina fez total jus a sua futura carreira e por isso, correu para participar. “Foi super válido. O meu desejo é fazer especialização em Neonatologia ea oficina tem tudo a ver comigo. A experiência foi enriquecedora”, pontuou.

Lançamentos

O primeiro dia do Congresso também contou com os lançamentos de capítulo de livro, e-book e manual de procedimentos. A professora Rhanica Coutinho escreveu um capítulo na obra ‘Migração do rádio AM para o FM’, de Nair Prata, e divulgou o e-book, produzido com nove alunos do oitavo módulo do curso de Medicina, que abordou ‘Pesquisas sobre o uso do celular na relação humanizada entre médico e paciente: uma lacuna a ser preenchida’. “No módulo cinco, provoquei os alunos a produzirem um trabalho para um seminário e que pudesse ser publicado posteriormente. A produção foi aprovada no Congresso Médico e, a partir disso, recebemos o convite para a produção do e-book, que também é um capítulo no livro 'Medicina e Biomedicina'”, relembrou Rhanica.

A produção acadêmica traz para os alunos uma boa referência e um peso no currículo. “Já sabíamos que as tecnologias da informação e comunicação, Tic’s, estavam crescendo no campo da Medicina; quando pesquisamos sobre o tema, descobrimos que pouca pesquisa vem sendo desenvolvida, o que nos motivou a continuar”, pontuou Nathália Gomes, uma das acadêmicas que participou da produção.

O ‘Manual de condutas e procedimentos para estudantes da área de saúde: a jornada acadêmica em busca da excelência’, dos professores Walter Fonseca, Marcilene Fonseca, Rhanica Coutinho e do egresso Igor Pereira visa auxiliar os acadêmicos na produção científica.

“O manual contém as normas do UniFOA, da ABNT, da Plataforma Brasil, do sistema Vancouver e normas dos sistemas gerais, que discriminam o que é hipótese, objetivo, justificativa e todos os outros termos”, explicou o professor Walter.

O conhecimento do passo a passo da elaboração do projeto facilita o trabalho do acadêmico. “O aluno já inicia a leitura e escrita das produções sabendo o que está lendo e o que precisa desenvolver, o que o poupa tempo, uma vez que ele pode ler apenas trabalhos que sejam importantes para o seu projeto”, concluiu o professor. O manual pode ser encontrado no site editora.unifoa.edu.br/ e na Biblioteca Central, no campus Olezio Galotti.

SEGUNDO DIA

O segundo dia do Congresso de Medicina começou com duas palestras no Auditório William Monachesi. O primeiro momento, ministrado pela professora Márcia Cardoso, apresentou aos participantes os desafios do pediatra no Sistema Único de Saúde (SUS). Já a palestra da médica Daniella Fernandes teve foco na saúde da criança indígena, com dados estatísticos do Brasil e da região.

“O Distrito Litoral Sul, que engloba os estados Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná, conta com 22.975 índios, divididos em 11 etnias e 129 aldeias. Dentre as maiores incidências em menores de cinco anos estão: lesões de pele, diarreias, gripes e resfriados, pneumonias, amigdalites, otites e anemia”, destacou a médica em sua apresentação.

Mídias Digitais e a infância

Afinal de contas, a internet nas mãos de uma criança ou adolescente é uma aliada ou inimiga? Como enfrentar os riscos oferecidos pela web? Para os palestrantes na mesa-redonda 'Mídias Digitais: Enfrentamentos para evitação de caminhos obscuros na infância e na adolescência', Douglas Gonçalves, Daniele do Val, Karin Escobar, Igor Pereira e Francyelly Barbosa, a resposta está na forma de uso.

De acordo com eles, o inimigo é o excesso. “As crianças e adolescentes de hoje não sabem o que é um mundo sem internet, portanto devemos orientá-los sobre sua forma de uso, pois se usada de maneira errada, só trará malefícios na formação desses indivíduos”, declarou Daniele.

A psicóloga, Francyelly Barbosa, relatou a importância do desenvolvimento de diversos estímulos na infância. “Hoje, uma criança de dois anos já é independente tecnologicamente, mas no quesito emocional, ainda não. Há um vazio e isso também se deve a cultura do ‘celular na mão para ficar quietinho’. Elas precisam do estímulo da brincadeira em grupo, tanto quanto a do desenvolvimento tecnológico. A média ideal para uma criança acima de 6 anos ficar em frente as telas é de duas horas diárias e não é bem isso o que temos presenciado atualmente. Atentem-se a isso”, concluiu Francyelly.

Encerramento

Os últimos momentos do Congresso de Medicina de 2019, no auditório William Monachesi, contaram com a III Mostra de Talentos e Cultura, que abriu espaço para apresentações de danças, músicas, coral de libras e o pré-lançamento dos documentários do Projeto Decanos do curso de Medicina.

Após as apresentações, o palco do auditório recebeu os alunos e professores premiados no congresso. Ao todo, foram 149 trabalhos inscritos, 105 aprovados para apresentação, 15 trabalhos premiados e três menções honrosas.


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